Tudo que espero é ser feliz então É pegar na tua mão É dormir com perfeição Acordar e os pés no chão Bem longe da solidão E se na vida tudo não valer Eu vou procurar você Pra dizer que não deu certo Não bonito nem correto Mas que a vida é mesmo assim Assimile as cores desta canção
O poeta é um pintor que, ao invés de usar telas, tintas e cores, usa as palavras. A grande magia está no resultado do ofício dos dois, ou seja, quando apreciamos uma obra de arte ou lemos um poema, vemos beleza, poesia!
Abandonei minhas culpas Na sepultura vazia dos que julgam Me despi de todas as mágoas Anéis, medos e anáguas Entreguei aos ignorantes - que tudo sabem. sem nada ver A última armadura Deixei para eles O oficio de condenar-me O vício de derrotar minhas virtudes A praga da sonhada perfeição Hoje colho amoras na pé Lambuzo a boca de vermelho Brinco com meu grelo persigo borboletas nos canteiros E passo dias inteiros sentindo a brisa tocar o bico dos meus seios Todas as falhas que tive Agora eu sei Foram somente adubo Para a flor violeta que me tomei
As estátuas me comovem! Do alto de seus bustos de cobre Jamais cobram atenção E seus ouvidos petrificados Desconhecem a palavra "não" Me intrigam as estátuas! Encantadas por seus próprios feitiços Esquecidas nas ruas Observadas por todos que passam Sem serem tocadas Estátua não mente Não fica triste Nem se sente contente Estátua não come Não goza Não precisa Não teme Não geme Tremo diante delas Cinderelas da Era moderna Mulheres feitas de silicone Chapinha e desilusão Mulheres petrificadas Pelo medo da rejeição
Quando caio entre o crescente e o minguante de um parêntese calado comigo penso — e pensando calado me ouço em pensamento É breve o lapso Logo de mim saio — Hoje há o gato à minha frente que atento fita (E a ilusão da noite o gato me suscita) O gato — Que pelo foto nos olhos da noite nem sente ilusão
para meu pai Caiu no mar tem que nadar murmurava meu pai marinheiro tirando um bagre do anzol um cigarro do bolso traseiro Eu, sabedor de nada, azeitava o eixo do sol sonhando um dia conquistar o meu lugar à sombra E o mar era tão grande! E a minha imaginação, tamanha, quebrava além da arrebentação no redemoinho de uma música estranha Anda moleque, recolhe a rede carrega o peixe pra tua mãe cozinhar Era o pai me fisgando com o olhar E eu seguia suas pegadas pelos caminhos de areia ouvindo as ondas a murmurar como o canto de uma sereia: Caiu no mar tem que nadar... Caiu no mar tem que nadar... de O pó das palavras